domingo, 14 de junho de 2015

Capítulo 45


Pelo relógio de Thomas, era o meio da manhã quando ele e Minho atravessaram a Porta
Oeste de volta à Clareira. Thomas estava tão cansado que queria deitar ali mesmo e tirar uma
soneca. Haviam permanecido no Labirinto por cerca de vinte e quatro horas.
Curiosamente, apesar da luz fraca e de tudo estar desmoronando, o dia na Clareira parecia
prosseguir como de costume - todos entregues às diversas atividades. Não deplorou muito
para que alguns garotos notassem a sua chegada. Newt foi informado e veio correndo.
- Vocês são os primeiros a voltar - disse ele enquanto se aproximava. - O que aconteceu? -
A expressão de esperança infantil no rosto dele cortou o coração de Thomas; ele pensava que
haviam encontrado algo importante. - Digam que têm boas notícias.
Minho trazia os olhos mortos, focalizando um ponto qualquer na distância cinzenta.
- Nada - disse ele. - O Labirinto é uma maldita grande piada.
Newt olhou para Thomas, confuso.
- Do que ele está falando?
- Ele só está desanimado - Thomas respondeu encolhendo os ombros cansados. - Não
encontramos nada diferente. Os muros não se moveram, não existem saídas, nada. Os
Verdugos vieram ontem à noite?
Newt fez uma pausa, uma nuvem sombria cobrindo-lhe o rosto. Finalmente, ele balançou a
cabeça, confirmando.
- Vieram. Levaram Adam.
Thomas não conhecia o nome e sentiu-se culpado por não sentir nada. "Só uma pessoa de
novo", pensou. "Talvez Gally tivesse razão."
Newt estava prestes a dizer alguma coisa quando Minho perdeu a compostura, olhando
para Thomas.
- Não aguento mais isso! - Minho estapeava a hera, as veias quase estourando no pescoço.
- Não aguento mais isso! Está acabado! Está tudo acabado! - Ele tirou a mochila e atirou-a no
chão. - Não existe saída, nunca existiu, nem existirá. Estamos todos ferrados.
Thomas ficou olhando, a garganta seca, enquanto Minho saía marchando em direção à
Sede. Era preocupante - se Minho desistisse, estavam todos em uma grande dificuldade.
Newt não disse mais nada. Deixou Thomas parado ali, absorto em meio aos próprios
pensamentos. O desespero pairava no ar como a fumaça da Casa dos Mapas, espessa e
amarga.
Os outros Corredores regressaram ainda naquela hora, e, pelo que Thomas ouviu, não
tendo encontrado nada, eles também tinham acabado por desistir. As faces sombrias
espalhavam-se pela Clareira, e a maioria dos trabalhadores abandonou as tarefas diárias.
Thomas sabia que o código do Labirinto era a única esperança que lhes restava agora. Ele
tinha de revelar alguma coisa. Tinha mesmo. E depois de caminhar a esmo pela Clareira para
ouvir as histórias dos outros Corredores, fez um esforço para sair daquela depressão.
"Teresa?", disse mentalmente, fechando os olhos, como se isso ajudasse. "Onde você está?
Descobriu alguma coisa?"
Depois de uma longa pausa, ele quase desistiu, pensando que não funcionara.
"Há? Tom, você disse alguma coisa?"
"Disse", falou ele, empolgado por fazer contato de novo. "Está me ouvindo? Estou fazendo
essa coisa direito?"
"Às vezes falha, mas está funcionando. Meio louco, né?"
Thomas pensou sobre o assunto - na verdade, estava começando a se acostumar.
"Não é tão ruim. Vocês ainda estão no porão? Vi o Newt, mas depois ele sumiu de novo."
"Ainda estamos aqui. O Newt conseguiu três garotos para nos ajudar a desenhar os Mapas.
Acho que já temos o código todo decifrado.
O coração de Thomas saltou para a garganta.
"Sério?"
"Venha até aqui."
"Estou indo."
Ele já se encaminhava para lá ao dizer isso, de alguma forma não se sentindo mais tão
exausto.
Newt abriu-lhe a porta.
- O Minho ainda não apareceu - informou ele enquanto desciam a escada até o porão. - Às
vezes ele é muito esquentadinho.
Thomas estava surpreso por Minho desperdiçar tempo emburrado, ainda mais agora com
as possibilidades do código. Afastou aquele pensamento quando entrou na sala. Vários garotos
que não conhecia estavam reunidos ao redor da mesa, em pé; todos pareciam exaustos, os
olhos fundos. Pilhas de Mapas jaziam espalhadas por todo canto, incluindo o chão. Parecia
como se um tornado tivesse passado bem no meio da sala.
Teresa estava reclinada contra uma pilha de prateleiras, lendo uma única folha de papel.
Ela ergueu os olhos quando ele entrou, mas depois voltou a observar o que quer que tinha nas
mãos. Isso o entristeceu um pouco - ele esperava que parecesse feliz ao vê-lo -, mas depois
sentiu-se um idiota por até mesmo ter tido aquele pensamento. Obviamente ela estava ocupada
desvendando o código.
"Você precisa ver isto", falou Teresa para ele assim que Newt dispensou os ajudantes.
Eles saíram batendo os pés na escada de madeira, alguns resmungando sobre fazer todo aquele
trabalho para nada.
Thomas assustou-se, por um breve momento, preocupado que Newt pudesse perceber o
que estava acontecendo.
"Não fale na minha cabeça com Newt por perto. Não quero que ele saiba sobre o nosso...
dom."
- Venha dar uma olhada nisto - falou ela em voz alta, mal disfarçando o sorriso de
satisfação que exibira rapidamente.
- Fico de joelhos e beijo os seus malditos pés se puder desvendar isso - falou Newt.
Thomas aproximou-se de Teresa, ansioso para ver o que tinham encontrado. Ela estendeu
o papel, as sobrancelhas levantadas.
- Não resta dúvida que isto está certo - disse ela. - Só não faço ideia do que significa.
Thomas pegou o papel e correu os olhos por ele rapidamente. Viam-se círculos numerados
de cima a baixo do lado esquerdo, de um a seis. Ao lado de cada um via-se uma palavra
escrita em grandes letras maiúsculas.
FLUTUA
PEGA
SANGRA
MORTE
RÍGIDO
APERTA
Isso era tudo. Seis palavras.
Thomas sentiu-se tomado pelo desânimo - estava certo de que o propósito do código
ficaria óbvio depois que o descobrissem. Olhou para Teresa com o coração apertado.
- Só isso? Tem certeza de que estão na ordem certa?
Ela tomou o papel da mão dele.
- O Labirinto vem repetindo estas palavras há meses... paramos finalmente quando isso
ficou claro. A cada vez, depois da palavra "APERTA", passava uma semana sem aparecer
nenhuma letra, e depois começava tudo de novo com "FLUTUA". Daí imaginamos que fosse a
primeira palavra, nessa ordem.
Thomas cruzou os braços e inclinou-se sobre as prateleiras ao lado de Teresa. Sem pensar
a respeito, ele memorizou as seis palavras, gravando-as mentalmente. Flutua. Pega. Sangra.
Morte. Rígido. Aperta. Não parecia nada bom.
- Divertido, não acha? - disse Newt, refletindo exatamente os seus pensamentos.
- Pois é - replicou Thomas com um gemido de frustração. - Precisamos que o Minho venha
até aqui... talvez ele saiba de alguma coisa que não sabemos. Se a gente tivesse mais pistas... -
Parou, tocado por uma premonição atordoante; teria caído no chão se não estivesse apoiado
nas prateleiras. Acabara de lhe ocorrer uma ideia. Uma ideia horrível, terrível, pavorosa. A
pior ideia da história das ideias horríveis, terríveis, pavorosas.
Mas o instinto lhe dizia que estava certo. Havia uma coisa que precisava fazer.
- Tommy? - chamou Newt, aproximando-se com a testa franzida de preocupação. - Qual é
o problema? Parece que você acabou de ver um fantasma.
Thomas abanou a cabeça, recompondo-se.
- Ah... nada, desculpe. Os meus olhos estão ardendo... acho que preciso dormir um pouco.
- Ele esfregou as têmporas para dar mais ênfase.
"Está tudo bem com você?", indagou Teresa mentalmente. Ele a viu tão preocupada quanto
Newt, o que o fez sentir-se bem.
"Estou, sim. Sério, estou cansado. Só preciso descansar um pouco."
- Bem - falou Newt, apertando o ombro de Thomas. - Você passou toda essa maldita noite
no Labirinto... vá tirar um cochilo.
Thomas olhou para Teresa, depois para Newt. Queria compartilhar a sua ideia, mas
decidiu que não. Em vez disso, balançou a cabeça e foi para a escada.
De qualquer forma, Thomas tinha um plano agora. Por pior que fosse, ele tinha um plano.
Eles precisavam de mais pistas sobre o código. Precisavam de lembranças.
Então ele se deixaria picar por um Verdugo. Passaria pela Transformação. De propósito
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Bem Vindos ao Livro teen


Então resolvi criar esse blog porque, muita gente não tem dinheiro(tipo eu) ,vou postar livro de qualquer estilo,porque eu qualquer estilos amo ler,quer um livro que eu poste basta pedir na embaixo no meu ask,ok meu nome João Paulo ,comente para eu interagir com vocês.

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