domingo, 14 de junho de 2015

Capítulo 53


Thomas estava quase triste quando o Conclave finalmente terminou. Quando Newt saiu da
Sede, ele sabia que o tempo de descanso acabara.
O Encarregado os avistou e aproximou-se num passo apressado, ainda que mancando.
Thomas notou que soltara a mão de Teresa sem pensar. Newt parou à frente deles e cruzou os
braços sobre o peito enquanto olhava para os dois sentados no banco.
- Isso é uma loucura total, vocês sabem disso, certo? - Seu semblante estava indecifrável,
mas os olhos deixavam transparecer uma nesga de vitória.
Thomas levantou-se, sentindo uma torrente de empolgação inundar o seu corpo.
- Então eles concordaram em ir?
Newt inclinou a cabeça confirmando.
- Todos eles. Não foi tão difícil quanto pensei que seria. Aqueles trolhos viram o que
acontece à noite com aquelas malditas Portas abertas. Não podemos sair deste Labirinto
idiota. Precisamos tentar alguma coisa. - Ele se virou e olhou para os Encarregados, que
começavam a reunir os respectivos grupos de trabalho. - Agora só precisamos convencer os
Clareanos.
Thomas sabia que isso seria ainda mais difícil do que tinha sido persuadir os
Encarregados.
- Acha que vão comprar a ideia? - Teresa indagou, levantando-se para juntar-se a eles.
- Nem todos eles - falou Newt, e Thomas reparou na frustração nos seus olhos. - Alguns
vão ficar e correr o risco... posso garantir.
Thomas não duvidava que as pessoas iriam amarelar ante a ideia de partir para a ação.
Pedir que lutassem contra os Verdugos era pedir muito.
- E quanto a Alby?
- Quem sabe? - respondeu Newt, olhando em volta na Clareira, enquanto observava os
Encarregados e os seus grupos. - Para mim parece claro que o babaca está com mais medo de
voltar para casa do que dos Verdugos. Mas vou conseguir que vá com a gente, não se
preocupe.
Thomas gostaria de poder recuperar lembranças daquelas coisas que estavam
atormentando Alby, mas não lhe ocorria nada.
- Como pretende convencê-lo?
Newt deu uma risada.
- Vou inventar alguma besteira. Dizer a ele que encontraremos uma nova vida em outra
parte do mundo, que vamos viver felizes para sempre.
Thomas deu de ombros.
- Bem, talvez a gente chegue lá. Prometi ao Chuck que o levaria para casa, você sabe. Ou
pelo menos que iria encontrar uma casa para ele.
- É claro - murmurou Teresa. - Qualquer coisa é melhor do que este lugar.
Thomas observou as discussões que irrompiam por toda parte na Clareira, os
Encarregados fazendo o melhor possível para convencer as pessoas que deveriam correr o
risco e lutar para abrir caminho e atravessar o Buraco dos Verdugos. Alguns Clareanos
bateram o pé, mas a maioria parecia ouvir e ao menos considerar a proposta.
- E o que devemos fazer agora? - indagou Teresa.
Newt respirou fundo.
- Descobrir quem vai, quem fica. Preparar-se. Alimento, armas, tudo isso. Então partimos.
Thomas, eu o colocaria como o responsável, uma vez que a ideia foi sua, mas já seria bem
difícil manter as pessoas do nosso lado sem transformar você, Fedelho, em nosso líder... sem
ofensa. Então é melhor ficar na sua, certo? Vamos deixar o negócio do código com você e
Teresa. Vocês podem cuidar disso por baixo dos panos.
Thomas achava mais do que bom deixar de lado a liderança - encontrar aquela central de
computadores e introduzir o código era responsabilidade mais do que suficiente para ele.
Mesmo com esse fardo sobre os ombros, precisava lutar contra a onda crescente de pânico
que sentia.
- Você fala como se fosse fácil - disse, fazendo o melhor possível para amenizar a
situação. Ou pelo menos para dar a impressão de que fazia isso.
Newt cruzou os braços de novo, olhando fixamente para ele.
- Como você disse antes, se ficarmos, um trolho morre à noite. Se formos, um trolho
morre. Qual a diferença? - Ele apontou para Thomas. - Se você estiver certo.
- E estou. - Thomas sabia que estava certo quanto ao Buraco, ao código, à porta, à
necessidade de lutar. Mas se um ou muitos deles iriam morrer era algo de que não fazia a
menor ideia. Entretanto, se havia uma coisa que os seus instintos lhe diziam era para não
admitir nenhuma dúvida.
Newt deu-lhe um tapinha nas costas.
- Bom isso. Ao trabalho, então.
As horas seguintes foram frenéticas.
A maioria dos Clareanos acabou concordando em ir - mais gente do que Thomas
imaginara. Até mesmo Alby decidiu ir junto. Embora ninguém admitisse, Thomas acreditava
que a maior parte deles apostava na teoria de que apenas uma pessoa seria morta pelos
Verdugos, e todos consideravam que as chances de não ser o trouxa infeliz eram aceitáveis.
Os que decidiram permanecer na Clareira eram poucos, mas obstinados e veementes.
Passaram o tempo todo andando por todos os lados reclamando, tentando mostrar aos outros
como eram estúpidos. Por fim, desistiram e mantiveram-se à distância.
Quanto a Thomas e aos demais comprometidos com a fuga, havia uma tonelada de trabalho
a ser feito.
Houve uma distribuição de mochilas, e nelas foram colocados suprimentos. Caçarola -
Newt contara a Thomas que o Cozinheiro tinha sido um dos últimos Encarregados a concordar
com a fuga - estava incumbido de reunir todo o alimento e encontrar um jeito de distribuí-lo
igualmente. Seringas de Soro da Dor foram incluídas, muito embora Thomas não achasse que
os Verdugos fossem picá-los. Chuck ficou encarregado de encher garrafas de água e fornecê-
las a todos. Teresa o ajudou, e Thomas pediu-lhe para fazer a jornada soar o menos
assustadora possível, mesmo que precisasse mentir descaradamente, o que era quase
inevitável. Chuck tentara parecer corajoso desde o momento em que fora informado sobre o
que iriam fazer, mas o suor brotando na sua pele e o olhar perplexo revelavam a verdade.
Minho foi até o Penhasco com um grupo de Corredores, atirando cordas de hera e pedras
para testar o invisível Buraco dos Verdugos uma última vez. Eles tinham a esperança de que
as criaturas manteriam o horário habitual e não apareceriam durante o dia. Thomas pensara em
saltar direto para dentro do Buraco e tentar introduzir o código rapidamente, mas não fazia
ideia do que deveria esperar ou do que poderia estar à sua espreita. Newt estava certo - era
melhor aguardar até a noite e torcer para que a maioria dos Verdugos estivesse no Labirinto,
não dentro do Buraco.
Quando Minho retornou, são e salvo, Thomas pensou que ele parecia muito otimista em
relação a haver realmente uma saída. Ou entrada. Dependendo do ponto de vista.
Thomas ajudou Newt a distribuir as armas e até mesmo umas mais inovadoras foram
criadas no desespero de se preparar para os Verdugos. Bastões de madeira foram apontados
como lanças ou envolvidos em arame farpado; as facas foram afiadas e amarradas, com cipós,
na extremidade de galhos arrancados de árvores da floresta; pedaços de vidro quebrado foram
envolvidos em fita adesiva para servir como pás. No fim do dia, os Clareanos tinham se
transformado em um pequeno exército. Um exército ridículo e despreparado, pensou Thomas,
mas ainda assim um exército.
Depois de ajudarem no que podiam, ele e Teresa foram para o local secreto no Camposanto
para planejar uma estratégia sobre a central de computadores que havia dentro do
Buraco dos Verdugos e discutir como imaginavam introduzir o código.
- Teremos de ser nós a fazer isso - disse Thomas enquanto se recostavam contra as árvores
enrugadas, as folhas antes verdes já começando a ficar cinzentas com a falta de luz solar
artificial. - Porque, se formos separados, poderemos ficar em contato e continuar ajudando um
ao outro.
Teresa pegara uma vareta e descascava o tronco da árvore.
- Mas precisamos ter substitutos, para o caso de acontecer alguma coisa com a gente.
- Sem dúvida. Minho e Newt conhecem as palavras do código, vamos dizer a eles para
digitá-las no computador se nós... bem, você sabe. - Thomas não queria pensar sobre todas as
coisas ruins que poderiam acontecer.
- O plano não é tão difícil então. - Teresa bocejou, como se a vida estivesse
completamente normal.
- Nem um pouco. Lutar contra os Verdugos, digitar o código, escapar pela porta. Depois
vamos enfrentar os Criadores... seja lá o que isso signifique.
- Seis palavras do código, quem sabe quantos Verdugos. - Teresa quebrou a vareta no
meio. - O que você acha que significa CRUEL, afinal?
Thomas sentiu como se tivesse sido atingido com um soco no estômago. Por algum motivo,
ouvir a palavra naquele momento, de outra pessoa, ligou algumas pontas soltas na sua mente e
houve a conexão. Ele ficou espantado de não ter feito essa ligação antes.
- Aquela placa que vi no Labirinto... lembra? Aquela de metal com as palavras gravadas. -
O coração de Thomas começara a bater acelerado, por causa da excitação.
Teresa franziu a testa confusa por um segundo, mas depois uma luz pareceu se acender por
trás dos seus olhos.
- Uou! Catástrofe e Ruína Universal: Experimento Letal. CRUEL. CRUEL é bom... o que
escrevi no meu braço. O que será que isso significa afinal?
- Não faço ideia. É por isso que estou morrendo de medo de que o que estamos prestes a
fazer seja uma imensa idiotice. Pode ser um derramamento de sangue.
- Todo mundo sabe no que está se metendo. - Teresa estendeu o braço e segurou a mão
dele. - Nada a perder, lembra?
Thomas lembrava, mas por alguma razão as palavras de Teresa o chatearam... não havia
muita esperança para eles.
- Nada a perder - repetiu ele.
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Então resolvi criar esse blog porque, muita gente não tem dinheiro(tipo eu) ,vou postar livro de qualquer estilo,porque eu qualquer estilos amo ler,quer um livro que eu poste basta pedir na embaixo no meu ask,ok meu nome João Paulo ,comente para eu interagir com vocês.

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