sábado, 15 de agosto de 2015

NICK DUNNE UM DIA SUMIDA



Não segui o conselho de Go sobre o álcool. Matei metade da garrafa sentado sozinho no
sofá, minha décima oitava descarga de adrenalina acontecendo no instante em que finalmente
achei que iria adormecer: meus olhos estavam se fechando, eu estava ajeitando o travesseiro,
meus olhos estavam fechados, e então vi minha esposa, sangue coagulando em seus cabelos
louros, chorando e cega de dor, arrastando-se pelo chão da nossa cozinha. Chamando meu nome.
Nick, Nick, Nick!
Dei goles repetidos da garrafa, tomando coragem para dormir, uma rotina inútil. O sono é
como um gato: ele só vem quando você o ignora. Bebi mais e repeti meu mantra. Pare de pensar,
gole, esvazie a cabeça, gole, agora, sério, esvazie a cabeça, faça isso agora, gole. Você
precisa estar ligado amanhã, você precisa dormir! Gole. Não consegui nada além de um
cochilo agitado quase ao nascer do sol, e acordei uma hora depois, de ressaca. Não uma ressaca
incapacitante, mas uma bela ressaca. Estava frágil e molengo. Confuso. Talvez ainda um pouco
bêbado. Eu me arrastei até o Subaru de Go, o movimento parecendo estranho, como se minhas
pernas estivessem ao contrário. Eu tinha propriedade temporária do carro; a polícia aceitara com
elegância meu Jetta, gentilmente inspecionado, assim como meu laptop — tudo apenas
formalidade, garantiram. Fui para casa colocar roupas decentes.
Três carros de polícia estavam no meu quarteirão, nossos poucos vizinhos circulando por ali.
Nada de Carl, mas lá estavam Jan Teverer — a mulher cristã — e Mike, o pai dos trigêmeos de
três anos de fertilização in vitro — Trinity, Topher e Talullah (“Eu odeio todos, só por causa dos
nomes”, disse Amy, uma juíza severa de tudo o que estivesse na moda. Quando mencionei que um
dia o nome Amy estivera na moda, minha esposa disse: “Nick, você conhece a história do meu
nome.” Eu não tinha ideia de sobre o que ela estava falando.)
Jan acenou com a cabeça, a distância, sem me olhar nos olhos, mas Mike veio até mim
enquanto eu saía do carro.
— Lamento muito, cara, avise se eu puder fazer alguma coisa. Qualquer coisa. Cortei a grama
esta manhã, então pelo menos você não precisa se preocupar com isso.
Mike e eu nos revezávamos cortando a grama de todas as propriedades hipotecadas
abandonadas no complexo — as chuvas fortes da primavera haviam transformado jardins em
selvas, o que estimulava uma afluência de guaxinins. Havia guaxinins por toda parte, mastigando
nosso lixo tarde da noite, invadindo nossos porões, descansando em nossas varandas como
preguiçosos animais de estimação. A grama cortada não parecia fazer com que eles fossem
embora, mas pelo menos podíamos vê-los chegando.
— Obrigado, cara, obrigado — agradeci.
— Cara, minha esposa está histérica desde que soube — disse ele. — Completamente
histérica.
— Lamento saber disso — falei. — Eu tenho de... — Apontei para a porta.
— Fica sentada lá, chorando, enquanto olha fotos de Amy.
Eu não tinha dúvida de que mil fotos tinham aparecido da noite para o dia na internet, só para
alimentar as necessidades patéticas de mulheres como a esposa de Mike. Não tinha nenhuma
simpatia por gente dramática.
— Ei, tenho de perguntar... — começou Mike.
Dei um tapinha no braço dele e apontei novamente para a porta, como se tivesse negócios
urgentes. Eu me virei antes que ele pudesse fazer perguntas e bati na porta da minha própria casa.
A policial Velásquez me acompanhou até o segundo andar, para dentro de meu próprio
quarto, meu próprio closet — passando pela caixa de presente prateada perfeitamente quadrada
— e permitiu que eu vasculhasse minhas coisas. Aquilo me deixou tenso, escolher roupas na
frente daquela jovem de trança castanha comprida, aquela mulher que muito provavelmente
estava me julgando, formando uma opinião. Acabei pegando às cegas: o arranjo final foi casual
chique, calça e camisa de mangas curtas, como se estivesse indo a uma convenção. Daria um
ensaio interessante, pensei, escolher roupas apropriadas quando um ente querido desaparece. Era
o cobiçoso jornalista em mim em busca de uma pauta, impossível de desligar.
Enfiei tudo em uma bolsa e dei meia-volta, olhando para a caixa de presente no chão.
— Será que eu posso dar uma olhada? — perguntei a ela.
Ela hesitou, depois escolheu a segurança.
— Não, lamento, senhor. Melhor não agora.
A beirada do papel de embrulho havia sido cortada cuidadosamente.
— Alguém olhou o que tem dentro?
Ela confirmou com um gesto de cabeça.
Eu contornei Velásquez na direção da caixa.
— Se já olharam, então...
Ela se colocou na minha frente.
— Senhor, não posso permitir que faça isso.
— Isso é ridículo. É para mim, da minha esposa...
Eu a contornei, me abaixei, e estava com uma das mãos na lateral da caixa quando ela passou
um braço sobre meu peito, por trás. Senti um surto de fúria momentâneo, por aquela mulher achar
que podia me dizer o que fazer em minha própria casa. Não importa quanto eu tente ser filho de
minha mãe, a voz do meu pai entra na minha cabeça sem ser convidada, depositando pensamentos
medonhos, palavras nojentas.
— Senhor, esta é uma cena de crime, o senhor...
Piranha idiota.
De repente, o parceiro dela, Riordan, estava no quarto e também em cima de mim, e eu estava
tentando me livrar deles — está bem, está bem, porra —, e eles me forçando escada abaixo.
Havia uma mulher de quatro perto da porta da frente, vasculhando as tábuas do piso, procurando
respingos de sangue, imagino. Ela ergueu os olhos para mim, impassível, depois os baixou
novamente.
Eu me obriguei a relaxar enquanto voltava até a casa de Go para me vestir. Essa foi apenas
uma em uma longa série de coisas irritantes e asininas que a polícia iria fazer durante aquela
investigação (gosto de regras que fazem sentido, não de regras sem lógica), então eu precisava
me acalmar: Não antagonize os policiais, disse a mim mesmo. Repita, caso necessário: Não
antagonize os policiais.
* * *
Cruzei com Boney enquanto entrava na delegacia, e ela disse:
— Seus sogros estão aqui, Nick. — O tom era encorajador, como se estivesse me oferecendo
um muffin quente.
Marybeth e Rand Elliott estavam de pé com os braços em volta um do outro. No meio da
delegacia, eles pareciam posar para fotos do baile de formatura. É como eu sempre os via, mãos
dadas, queixos se tocando, bochechas roçando. Sempre que visitava a casa dos Elliott, eu me
tornava um pigarreador obsessivo — estou entrando —, porque eles podiam estar logo ali, se
acariciando. Eles se beijavam na boca sempre que iam se afastar, e Rand pegava no traseiro da
esposa quando passava por ela. Aquilo era estranho para mim. Meus pais se divorciaram quando
eu tinha doze anos, e acho que talvez, quando eu era muito novo, testemunhei um casto beijo na
bochecha entre os dois quando era impossível evitar. Natais, aniversários. Lábios secos. Nos
seus melhores dias de casados a comunicação entre eles era totalmente objetiva: Estamos sem
leite novamente. (Vou comprar hoje.) Preciso que isso seja passado direito. (Farei isso hoje.)
É tão difícil comprar leite? (Silêncio.) Você se esqueceu de chamar o bombeiro. (Suspiro.)
Caramba, vista um casaco agora, saia e vá comprar o maldito leite. Essas mensagens e ordens
são trazidas a você pelo meu pai, um gerente de companhia telefônica de nível intermediário que
tratava minha mãe na melhor das hipóteses como uma funcionária incompetente. Na pior? Ele
nunca bateu nela, mas sua fúria pura e desarticulada enchia a casa durante dias, semanas a cada
vez, tornando o ar úmido, difícil de respirar, meu pai rondando com o maxilar inferior projetado,
dando a ele um ar de pugilista ferido e vingativo, trincando os dentes com tanta força que dava
para ouvir do outro lado da sala. Jogando coisas perto dela, mas não exatamente nela. Tenho
certeza de que ele dizia a si mesmo: Nunca bati nela. Tenho certeza de que por causa desse
detalhe técnico ele nunca se considerou um agressor. Mas ele transformou nossa vida familiar em
uma interminável viagem de carro com placas erradas e um motorista tenso de fúria, férias que
nunca tiveram chance de ser divertidas. Não me faça dar a volta com este carro. Por favor,
sério, dê a volta.
Não acho que o problema do meu pai fosse com minha mãe especificamente. Ele
simplesmente não gostava de mulheres. Achava que eram idiotas, inconsequentes, irritantes.
Aquela piranha burra. Essa era sua frase preferida para qualquer mulher que o irritasse: outra
motorista, uma garçonete, nossas professoras, nenhuma das quais ele chegou a conhecer, já que as
reuniões de pais e mestres fediam tanto a reino feminino. Ainda me lembro de quando Geraldine
Ferraro foi escolhida candidata a vice-presidente em 1984, todos nós acompanhando no
noticiário antes do jantar. Minha mãe, minha pequena e doce mãe, colocou a mão na nuca de Go e
disse: Bem, acho isso maravilhoso. Meu pai desligou a TV e disse: É uma piada. Você sabe que
é uma maldita piada. Como ver um macaco andando de bicicleta.
Demorou mais cinco anos para minha mãe finalmente decidir que estava farta. Voltei da
escola certo dia e meu pai havia ido embora. Ele estava lá de manhã e à tarde não estava mais.
Minha mãe sentou-se conosco na mesa de jantar e anunciou “Seu pai e eu decidimos que seria
melhor para todos se vivêssemos separados”, e Go caiu em prantos, dizendo “Que bom, eu odeio
vocês dois!” E então, em vez de correr para o quarto como previa o roteiro, ela foi até minha
mãe e a abraçou.
Meu pai foi embora e minha magra e pesarosa mãe ficou gorda e feliz — bastante gorda e
extremamente feliz —, como se sempre devesse ter sido assim: um balão murcho se enchendo de
ar. Em um ano, ela se metamorfoseara na mulher ocupada, calorosa e alegre que seria até morrer,
e sua irmã dizia coisas como “Graças a Deus que a velha Maureen voltou”, como se a mulher que
nos criara fosse uma impostora.
Quanto ao meu pai, durante anos eu falei com ele pelo telefone uma vez por mês, as
conversas educadas e cheias de novidades, um recital de coisas que aconteceram. A única
pergunta que meu pai me fez sobre Amy era “Como está Amy?”, que não deveria produzir
nenhuma resposta além de “Ela está bem”. Ele continuou obstinadamente distante mesmo quando
mergulhava na demência, na casa dos sessenta anos. Se você está sempre adiantado, nunca está
atrasado. O mantra do meu pai, e isso incluiu o começo do Alzheimer — um lento declínio em
direção a uma queda íngreme e repentina que nos obrigou a transferir nosso pai independente e
misógino para um asilo gigantesco que fedia a canja e urina, onde ele estaria cercado por
mulheres o ajudando o tempo todo. Rá.
Meu pai tinha limitações. Foi o que minha mãe de bom coração sempre nos disse. Ele tinha
limitações, mas não queria causar nenhum mal. Gentil da parte dela dizer isso, mas ele causou
males, sim. Duvido que minha irmã um dia se case: quando está triste, aborrecida ou com raiva,
precisa ficar só — ela teme um homem desprezando suas lágrimas femininas. Sou igualmente
ruim. As coisas boas em mim, eu herdei da minha mãe. Sei brincar, sei rir, sei provocar, sei
celebrar, apoiar e louvar — basicamente, sei funcionar à luz do sol —, mas não consigo lidar
com mulheres raivosas ou chorosas. Sinto a fúria de meu pai crescer dentro de mim da forma
mais feia. Amy poderia lhe dizer mais sobre isso. Decididamente lhe diria, se estivesse aqui.
Eu observei Rand e Marybeth por um tempo antes que eles me vissem. Perguntei-me quão
furiosos estariam comigo. Eu cometera um ato imperdoável demorando tanto a telefonar para
eles. Por causa de minha covardia, meus sogros sempre teriam aquela noite de tênis cravada em
sua imaginação: a noite quente, as preguiçosas bolas amarelas quicando pela quadra, os guinchos
dos tênis, uma noite de quinta-feira qualquer que eles aproveitaram enquanto sua filha estava
desaparecida.
— Nick — chamou Rand Elliott ao me ver.
Ele deu três passos largos na minha direção e, enquanto eu me preparava para receber um
soco, ele me abraçou com uma força desesperada.
— Como você está? — sussurrou em meu pescoço, e começou a me embalar. Finalmente
engoliu com um som agudo, deu um suspiro abafado e me agarrou pelos braços. — Vamos
encontrar Amy, Nick. Não pode ser diferente. Acredite nisso, está bem?
Rand Elliot me fitou com seu olhar azul por mais alguns segundos, depois teve outro surto —
três engasgos efeminados brotaram dele como soluços — e Marybeth se juntou ao grupo,
enterrando o rosto sob a axila do marido.
Quando nos separamos, ela olhou para mim com enormes olhos chocados.
— É um... Um maldito pesadelo. Como você está, Nick?
Quando Marybeth perguntava Como você está?, não era uma gentileza, era uma pergunta
existencial. Ela examinou meu rosto, e eu tinha certeza de que estava me examinando, e
continuaria a registrar todos os meus pensamentos e atos. Os Elliott acreditavam que cada
característica devia ser considerada, avaliada, categorizada. Tudo significava algo, tudo podia
ser usado. Mãe, pai, bebê, eles eram três pessoas evoluídas com três diplomas em psicologia —
eles pensavam mais antes das nove horas da manhã do que a maioria das pessoas pensava no mês
inteiro. Lembro-me de uma vez ter recusado uma torta de cerejas no jantar, e Rand ter inclinado a
cabeça e dito: “Ah! Iconoclasta. Despreza o fácil patriotismo simbólico.” E quando tentei
descartar isso rindo e dizer, bem, também não gosto de bolo de cerejas, Marybeth tocou no braço
de Rand: “Por causa do divórcio. Todas essas comidas caseiras, as sobremesas que uma família
come reunida, são apenas lembranças ruins para Nick.”
Era bobagem, mas inacreditavelmente gentil, aquelas pessoas gastando tanta energia tentando
entender quem eu era. A resposta: eu não gosto de cereja.
* * *
Às onze e meia, a delegacia estava uma barulheira em ebulição. Telefones tocavam, pessoas
gritavam de um lado da sala para o outro. Uma mulher cujo nome não ouvi, que registrei apenas
como uma cabeçorra tagarela, de repente revelou sua presença ao meu lado. Não tinha ideia de
quanto tempo havia que ela estava lá:
— ...e a razão principal disso, Nick, é apenas fazer com que as pessoas procurem por Amy e
saibam que ela tem uma família que a ama e a quer de volta. Isso será muito controlado. Nick,
você precisará... Nick?
— Sim.
— As pessoas vão querer uma breve declaração do marido.
Do outro lado da sala, Go disparava na minha direção. Ela me deixara na delegacia e depois
correra para O Bar para cuidar de coisas de bar por trinta minutos, e estava de volta, agindo
como se tivesse me abandonado por uma semana, ziguezagueando entre mesas, ignorando o
jovem policial que claramente recebera a orientação de conduzi-la para dentro, em ordem, de
forma apressada e digna.
— Tudo bem até agora? — perguntou Go, me envolvendo com um braço só, o abraço
masculino. Os jovens Dunne não abraçam bem. O polegar de Go pousou no meu mamilo direito.
— Queria que mamãe estivesse aqui — sussurrou ela, e era o que eu estivera pensando.
— Nenhuma notícia? — perguntou ela ao me soltar.
— Nada, porra nenhuma...
— Você está com uma cara de quem está se sentindo péssimo.
— Estou me sentindo mal para caralho.
Eu estava prestes a comentar como eu era um idiota por não ter dado atenção ao que ela
dissera sobre o álcool.
— Eu também teria terminado a garrafa — afirmou ela, dando tapinhas nas minhas costas.
— Está quase na hora — anunciou a relações-públicas, aparecendo magicamente outra vez.
— Até que está cheio para um fim de semana de Quatro de Julho.
Ela começou a conduzir todos nós para uma lúgubre sala de reuniões — venezianas de
alumínio, cadeiras dobráveis e um punhado de repórteres entediados — e subiu no estrado. Eu
me sentia como o terceiro palestrante em uma convenção medíocre, eu, nos meus tons de azul
casual chique, falando para uma plateia cativa de pessoas com jet lag, sonhando acordadas com o
que irão comer no almoço. Mas percebi que os repórteres acordaram ao me ver — sejamos
sinceros: um cara jovem, de aparência decente —, e então a relações-públicas colocou um pôster
em um cavalete próximo, e era uma foto ampliada de Amy em seu momento mais deslumbrante,
aquele rosto que fazia você olhar de novo e de novo: Ela não pode ser tão bonita, pode? Ela
podia, ela era, e fiquei olhando para a foto da minha esposa enquanto as câmeras tiravam fotos de
mim olhando para a foto. Pensei naquele dia em Nova York em que a reencontrara: os cabelos
louros, a parte de trás da cabeça, era tudo o que eu podia ver, mas sabia que era ela, e entendi
aquilo como um sinal. Quantos milhões de cabeças eu vira na vida, mas sabia que aquele era o
belo crânio de Amy flutuando pela Sétima Avenida à minha frente. Sabia que era ela, e que
ficaríamos juntos.
Flashes dispararam. Eu me virei e vi holofotes. Era surreal. É o que as pessoas sempre dizem
para descrever momentos que são apenas incomuns. Pensei: Vocês não têm ideia do que é
surreal, cacete. Minha ressaca estava realmente esquentando agora, meu olho esquerdo pulsava
como um coração.
As câmeras disparavam, e as duas famílias ali de pé, juntas, todos com os lábios crispados,
Go era a única que chegava perto de parecer uma pessoa real. O restante de nós parecia
representar humanos substitutos, corpos que haviam sido colocados em posição e expostos. Amy,
ali em seu cavalete, parecia muito mais presente. Todos já havíamos visto essas coletivas —
quando outras mulheres desapareciam. Estávamos sendo obrigados a interpretar a cena que os
telespectadores esperavam: a família preocupada mas esperançosa. Olhos chocados de cafeína e
braços de bonecas de pano.
Meu nome estava sendo dito; a sala engoliu em seco de expectativa. Hora do show.
Quando vi a transmissão mais tarde, não reconheci minha voz. Mal reconheci meu rosto. O
álcool flutuando como lama logo abaixo da superfície da minha pele me dava a aparência de um
perdulário bem nutrido, apenas sensual o bastante para ser desprezível. Eu temera que minha voz
falhasse, então fui artificial e as palavras saíram sincopadas, como se estivesse lendo um
relatório da bolsa. “Só queremos que Amy volte para casa em segurança...” Nem um pouco
convincente, totalmente desconectado. Eu poderia muito bem estar lendo números de forma
aleatória.
Rand Elliot se adiantou e tentou me salvar.
— Nossa filha, Amy, é uma garota encantadora, cheia de vida. É nossa filha única, e é
inteligente, bonita e gentil. Ela realmente é a Amy Exemplar. E a queremos de volta. Nick a quer
de volta.
Ele colocou a mão em meu ombro, limpou os olhos e eu involuntariamente fiquei paralisado.
Meu pai novamente: homens não choram.
Rand continuou a falar.
— Todos a queremos de volta ao seu lugar, com sua família. Instalamos um centro de
comando no Days Inn...
Os noticiários mostrariam Nick Dunne, marido da mulher desaparecida, de pé metalicamente
junto ao sogro, braços cruzados, olhos vidrados, parecendo quase entediado, enquanto os pais de
Amy choravam. E então, ainda pior. Minha antiga reação, a necessidade de lembrar às pessoas
que eu não era um babaca, que era um cara legal apesar do olhar frio, do rosto de babaca
pretensioso.
Então lá veio ele, do nada, enquanto Rand implorava pela volta da filha: um sorriso
assassino.
Postagem mais recente Postagem mais antiga Página inicial

0 comentários:

Postar um comentário

Bem Vindos ao Livro teen


Então resolvi criar esse blog porque, muita gente não tem dinheiro(tipo eu) ,vou postar livro de qualquer estilo,porque eu qualquer estilos amo ler,quer um livro que eu poste basta pedir na embaixo no meu ask,ok meu nome João Paulo ,comente para eu interagir com vocês.

Total de visualizações

Seguidores

Livros populares

Search